21 de fevereiro de 2015

Era uma vez uma garota com os olhos fixos na paisagem do seu passado. Concentrada, ela fechava os olhos e paralisava as imagens em sua mente, uma de cada vez, dando ênfase nas expressões e nos detalhes. Mas então ela lembra-se que é justamente isso que não quer fazer. Lembrar do seu passado já não a faz bem, apenas ocasiona uma dor em seu peito. Dias antes ela havia feito uma quase promessa de que enterraria tudo bem fundo, que deixaria de ser atingida por reflexos de lembranças, pelo menos as infelizes. Havia se desafiado a fazer tudo o que a instigava a fugir, a recuar e se esconder em seu interior. Havia se entendido consigo mesma.
Bem, e o que aconteceu depois? Tudo desabou novamente, como sempre acontecia. A parte engraçada é a de imaginar sua imagem batendo o pé, com uma expressão feroz na face e jogando as mãos para cima em sinal de impaciência. Não é tão simples fazer o que você sente vontade de fugir, de contrariar-se,de enterrar memórias ruins e parar de viver do passado, não é? E no fim, ela fica a refletir que talvez não haja solução para isso, por que por mais que ela tenha voltado a ficar em conflito consigo mesma é como se nada disso importasse.
 Mas isso é um erro. Por que isso importa e desafiar –se poderia ser o segredo.
Afinal de contas, o que realmente é importante na vida além de conseguir aceitar a si mesma? A única coisa que ela consegue ver é que o passado importa, é assim, mesmo ela nem sempre querendo. Então ela precisa acreditar que alguma outra coisa importe, que as decisões de agora são mais importantes dos que seus erros do passado, por que ela precisa acreditar que há algo para ela, por que afinal de contas, como ela poderia enterrar o passado se ele é a vida dela, mais vida do que o agora?

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