5 de fevereiro de 2013


Capítulo 1

No meio do banho, a espuma do shampoo entrou em seus olhos, cegando-a por alguns segundos. Com o máximo de cuidado possível para não escorregar, ela correu até a toalha que estava em seu quarto; não pode deixar de notar que havia alguém olhando-a de sua porta de vidro. Enrolou-se na toalha e foi verificar quem era. Chegando lá, percebeu pelo uniforme que era o carteiro, mas não era o mesmo carteiro de sempre, aquele que vivia com sua maleta amarela transbordando de cartas. Este, ao contrário, trazia consigo uma pequena caixa de papelão.
Sem saber se seria adequado aparecer de toalha para o novo carteiro, parou por alguns segundo no hall da escada. Observou-o e viu como ele olhava para dentro da casa analisando cada detalhe com muito interesse. Seu rosto era jovem, e seus olhos eram cor de âmbar. Tinha uma cicatriz do lado esquerdo do rosto, desde o cenho até atrás da orelha, que dava-lhe uma aparência sexy e assustadora ao mesmo tempo.
Por fim, acenou-le para que deixasse a embalagem na entrada. Observou-o se agachar e colocar a caixa delicadamente no chão. Quando ele estava prestes a se levantar percebe seu olhar instigador sobre si. Constrangida, ela volta para o quarto e veste-se, penteia-se olhando para seu reflexo na janela, não podendo deixar de notar o carteiro atravessar o lago à remo, sendo que ele poderia ir pela estrada rumo à cidade. Ela não sabia o que aquilo significava, pois não tinha conhecimento de que morava alguém no interior da mata.
Absorta em seus pensamentos, ela esquece da caixa que a esperava na sua porta. Desce até lá e, ao ajuntar a pequena caixa percebe que é mais leve do que aparentava. Senta-se no sofá, mas antes que pudesse começar a abrir, seu celular toca.
Corre escadas acima, pois havia deixado seu celular no bolso da calça suja, no banheiro. Quando, finalmente o acha, vê na tela o número conhecido de sua amiga Gina.
-Alô!
- Oi Juli! Preciso da tua ajuda.
- Que foi?
- Meu primo Carl pediu para que eu vá buscá-lo na rodoviária, preciso de companhia. Vamos junto?
-Ta bem, que horas ele chega?
-O ônibus chega às 08:00 horas. Podemos ir com seu carro?
- Claro, te vejo daqui a pouco. Tchau!
Julieta volta sua atenção para a caixa, examinando-a  atenciosamente. Percebe que não havia remetente nem destinatário, o que era muito estranho. Repreende-se por não ter recebido a caixa, poderia ter pedido alguma explicação.
Olha para o relógio, e são 07:20. Decide que, seja o que for na caixa, pode esperar. Pois até à casa de sua amiga na cidade, demoraria cerca de 40 min, teria de tomar café no caminho. Tomou o cuidado de chavear a casa e o galpão, pegou sua chave e um casaco leve, e saiu em direção de seu carro.

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